A burocracia do “politiquês” na Casa do Povo


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Comunicar é preciso. É essencial. Aprendemos isso antes mesmo de falar. A criança faminta, chora; o aceno horizontal, nega, e, o vertical, concorda. Depois disso, com as palavras, deveria ser apenas uma continuidade disso tudo. Certo? Mensagens sendo transmitidas entre emissor e receptor sem grandes barreiras. Emissor? Receptor? Ok. Já estou complicando um pouco, mas explico.

A conturbada sessão da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu da última terça-feira (2) – em que NÃO foi votado o projeto que aumentaria o número de parlamentares na cidade, de 15 para 19, – me fez refletir. Nos textos de requerimentos, termos complicados num “politiquês” burocrático, eram lidos pelos vereadores da casa.

Algumas palavras eram pronunciadas com dificuldade, numa clara demonstração da distância daquele vocabulário com a realidade de nosso dia-a-dia. Dava pena de ver aquelas palavras sendo jogadas ao vento, num ritual cansativo e sem vida. Malditos protocolos. Quem lia, até parecia que estava entendendo o que dizia. Quem ouvia, idem. Ou fingia.

Nesse jogo de aparências, o consenso dos engravatados e dos menos afortunados era o de não ver a hora daquela tortura terminar. Na Casa do Povo, o povo está mais para visita. Daquelas que causam desconforto e devem se adequar ao ambiente, sem privilégios, TV no quarto ou café da manhã.

A sessão serve apenas para ilustrar um desses casos em que não há muito o que se fazer. Ali, como em outros cenários, o burocrático é necessário e até lei. O problema é quando isso se transporta para o nosso cotidiano, onde menos é mais. Já foi o tempo em que falar bonito te tornava uma pessoa melhor e mais respeitada. Ter um bom vocabulário é ótimo. Se aprofundar na língua portuguesa é apaixonante. Mas saber se comunicar é fundamental.

Termos complicados são como passes bonitos, daqueles que deixam o atacante sozinho na cara do gol. Mas gol de canela também vale. Como dizia o artilheiro Dadá Maravilha, “não existe gol feio. Feio é não fazer gol”. Comunicar é preciso.

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